18/09
15h
Debates | Diálogos

Realidade Estendida (XR) e mediação

Com Felipe Varanda e Rafael Romão. Mediação de André Paz

Apresentação de pesquisa e casos que utilizam as tecnologias de realidade estendida (XR), realidade virtual (RV) e realidade aumentada (RA), em projetos com propósitos socioeducativos.

A segunda mesa de conversa da Ocupação Refúgio, Realidade estendida e mediação, contou com as participações de Felipe Varanda e Rafael Romão. Eles contaram de projetos, pesquisas, propostas e conceitos envolvendo o uso de tecnologias de realidade estendida, virtual e aumentada em contextos socioeducativos. A mediação foi de André Paz, diretor artístico do projeto, e o evento foi transmitido através do canal do YouTube do Sesc Rio.

Dê play e assista à mesa.

 O conteúdo apresentado por Felipe Varanda faz parte da sua pesquisa, que envolve a construção de um guia, uma publicação digital voltada para professores e multiplicadores. Nela, há informações, referências e provocações sobre o uso de realidade virtual em escolas. Varanda está desenvolvendo esse trabalho no mestrado na Escola de Comunicação da UFRJ.

Ele contou sobre a sua experiência com oficinas nas Naves do Conhecimento (estruturas localizadas na periferia do Rio de Janeiro) com o uso de câmeras 360º, e também sobre o caminho que o levou a pensar na ideia de mostras com realidade virtual em espaços escolares. Nesses ambientes, além de ter realizado algumas mostras, participou de diferentes formas, muitas vezes criando, apoiando ou, até mesmo, só assistindo. 

Destacou a ideia da cocriação (conceito desenvolvido também na mesa anterior) e apresentou dois casos para se pensar o uso da realidade virtual em contextos pedagógicos. O primeiro é o de uma turma de música do CEAT, escola carioca; o segundo é o projeto Território, memória e diálogos interculturais (também apresentado na mesa anterior), que foi gestado na Universidade de Montreal e teve parcerias no Brasil através da UERJ, UNIFASE e UFRJ. O projeto intitulado MON TERRITOIRE, MON TERRAIN se deu em escolas do Canadá, além do Colégio Estadual Dom Pedro II de Petrópolis e da comunidade guarani em Maricá. Com o uso dessas tecnologias, a proposta era pensar no território através das autonarrativas.

Por fim, Varanda mostrou como cada lugar se apropriou de uma forma e produziu a partir do que entendem por autonarrativas e coletividades. 

Em seguida, Rafael Romão apresentou parte de um material didático preparado a partir de realizações educativas com realidade virtual. Esses exercícios são construídos desde 2018, quando começou a participar de projetos que implementam a realidade virtual em escolas pelo Brasil - escolas públicas principalmente.

Afirmou que o seu objetivo com esse material não é de apresentar fórmulas rígidas, mas de poder inspirar proposições pedagógicas, refletindo sobre o que poderia ser adaptado tanto para trabalhar com o audiovisual quanto com a realidade virtual. Tais exercícios são expressões diante de desafios que se encontra na educação audiovisual no Brasil.

Muitas vezes, quando se trabalha com escolas públicas e escolas que ficam fora dos grandes centros urbanos, lida-se com populações que nunca foram em uma sala de cinema. Muitas vezes, a apresentação de um projeto de realidade virtual é a primeira ocasião em que o aluno está tendo contato com uma tecnologia audiovisual de uma forma um pouco mais cuidadosa, fora do que geralmente se tem acesso no cotidiano que é a televisão e o celular. Mas a proposta não é somente levar isso até ao aluno, é colocar a sua experiência prática em primeiro plano:

“Será que os processos educativos devem começar por um aprendizado da linguagem que está cristalizada? Na realidade virtual você tem muita gente dizendo o que deve e o que não deve fazer. Os processos com os educadores devem partir muito da experiência, experimentar aquela linguagem, tensionar as potências da linguagem. Acho que isso está muito ligado a você se expressar com aquela tecnologia audiovisual antes de chegar em regras, as regras não serem um ponto de partida. Isso é um pouco de Paulo Freire. Você chega naquela linguagem a partir do seu caminho, não com uma regra que precisa lidar logo de cara”.

Defende então que esse tipo de empoderamento digital está vinculado a um reconhecimento da própria voz e a um reconhecimento comunitário.