25/09
16h
Residência

Cocriação e realidade virtual na etnoastronomia Saaraui

Com Felipe Carrelli e Joel dos Santos. Mediação de André Paz

Como a etnoastronomia na cultura do povo Saaraui é representada através da realidade virtual? O debate desta mesa vai girar em torno dessa questão, tratando dos desdobramentos da pesquisa-criação Estrelas do Deserto, de Felipe Carrelli. Os convidados vão falar sobre a abordagem adotada na perspectiva da cocriação e suas contribuições para a criação da experiência e a escuta atenta aos afetos e saberes Saaraui.

Esse evento faz parte de uma série de encontros sobre os conteúdos abordados pela instalação Irifi: Estrelas do Deserto. 

Assista a mesa!

A última mesa do dia trouxe o tema que permeou os debates anteriores: a etnoastronomia na cultura do povo Saaraui. Alguns desses saberes sobre o céu foram registrados nos produtos feitos por Felipe Carrelli, um dos convidados da mesa ao lado de Joel dos Santos, professor do departamento de ciência da computação do CEFET. Eles falaram sobre a abordagem adotada na feitura desses conteúdos, sobre os processos e a parceria entre a computação e a comunicação para a elaboração de um material em realidade virtual. A mediação ficou por conta de André Paz.


A instalação “Irifi” faz parte do “Estrelas do Deserto”, o projeto transmídia de pesquisa-criação feito por Felipe Carrelli no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas da UFRJ. Ao longo da mesa, Carrelli falou da construção desse material, que traz uma série de questões sobre a etnoastronomia do povo saaraui. Trouxe também algumas das reflexões que fez durante esse processo. Um dos seus principais pensamentos era sobre abordar a divulgação das ciências a partir de um olhar decolonial. E, por isso, adotou o método de cocriação, que significa criar com um determinado grupo e não apenas sobre ele. 

Nesse caminho de cocriação, viu que existia uma demanda da comunidade de não só divulgar os seus conhecimentos sobre o céu, mas também de falar de questões políticas, históricas e sociais que enfrentam desde que se refugiaram naquele território argelino em 1975. Carelli contou que chegou lá com a intenção de trabalhar com a divulgação científica e voltou com essas outras demandas de temas, graças a esse modelo de criação em conjunto.

Uma das suas ideias iniciais era trabalhar com o formato de realidade virtual. Porém, acabou expandindo os conteúdos e isso resultou em seis produtos para atender às demandas dos saaraui, além de também poder acessar diferentes públicos.

Na mesa, Carrelli listou essas produções feitas em diferentes formatos e suportes: “Procurando Estrelas” (um docgame), “Refúgio nas Estrelas” (um documentário linear), “GalileoCast” (uma série de podcast), a instalação “Irifi” (onde criaram a experiência de realidade virtual de seis graus de liberdade) e “Estrelas do Deserto” (uma obra 360, de três graus de liberdade). Explicou, então, as diferenças entre as obras com seis graus e com três graus de liberdade, além de destacar que cada uma tem suas potências e limitações.

Depois, falou mais especificamente sobre o trabalho com a realidade virtual, feito em parceria com o professor Joel dos Santos e alguns dos seus alunos. Assim, durante a feitura do projeto, percebeu que a cocriação não era apenas quanto à temática, mas também devia ser pensada quanto a forma. Carrelli narrou sobre essa experiência com o programa, a técnica da fotometria e o contato direto com o professor dos Santos. Por fim, mostrou um vídeo com a evolução das diferentes versões da narrativa e falou dos elementos que usaram para a imersão do espectador.

Em seguida, convidou Joel dos Santos para apresentar o seu trabalho e contar da bagagem que levou para esse projeto. O professor contou brevemente sobre o CEFET e o ensino da informática de lá, o que é a computação e a ciência da computação. Ele lidera o grupo de pesquisa em multimídia, que conta com alunos dos três colegiados, tanto do técnico em informática, quanto da graduação e da pós-graduação em ciência da computação. Falou dos interesses do grupo, das linhas de pesquisa e apresentou alguns dos projetos feitos e em andamento. Contou também da equipe que trabalhou junto com Carrelli.

Os dois convidados responderam a perguntas feitas pelos espectadores e pelo mediador. Carrelli mostrou trechos de depoimentos que foram norteadores para se pensar as conexões entre política e o conhecimento da astronomia saaraui. Sobre a parceria entre a comunicação e a computação, refletiram sobre o processo de criação, os aprendizados e as trocas.